28 de nov. de 2010

A vida vista do lado de fora


Todos nós vivemos do lado de fora de um abraço. Sempre querendo entrar, fazer parte... sem entender que não fazemos parte do outro. Sem perceber que geralmente sobramos, como jiló na sopa. Estou me sentindo jiló.


São alguns os motivos para eu estar jiló. Primeiro... estou decepcionada com o ser humano. Não é de hoje. Mas agora, foram bem longe... inclusive, olha a surpresa, esses seres desprezíveis (não achei adjetivo pior publicável) costumam ler esses devaneios que costumo publicar aqui.

E tem mais... mais jiló... mas não vale a pena... é o lado de fora do abraço, as borboletas que se foram (mas elas sempre voltam, com outras cores, outros cheiros, outros sabores...), desejos que não são mais concretos. Tudo passa! Só fica esse cansaço, esse desgaste, de se jogar e descobrir que não tem rede, não tem ninguém...

Amo Luiz Fernando Carvalho. Não é à toa que estou amando a série Afinal, o que querem as mulheres? É linda demais! Me emociono toda quinta.

O melhor é que mesmo com tantos jilós e abraços perdidos, eu continuo sambando ao som de Chico. Estou me sentindo bem, em paz, fazendo exatamente o que me define, o que me faz ser a mulher especial e de caráter que eu sou. Estou em paz...

Chico Buarque sempre tem a música certa para minha vida. Que pretensão! Para momentos felizes, eu sambo... Para momentos reflexivos, eu medito... Para momentos tristes, eu choro. Em momentos de desespero total, eu injeto Chico na veia! É a minha droga, que funciona sempre. Até agora, bem onde estou, ele funciona...


Samba do Grande Amor
Chico Buarque

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim
O grande amor
Mentira

Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão
Pro grande amor
Mentira

Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor
Mentira

Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador

Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor
Mentira

Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

24 de out. de 2010

Cemitério de borboletas…


{Em forma de chave, estou abrindo parênteses hoje... acho que nem seria necessário abri-lo, acho que já passou... mas foi algo que marcou. O título desse post diz tudo. Senti um buraco na minha vida. Muitas borboletas morreram. Quis me enfiar em outro buraco, com meu buraco, meus discos e livros, muita água, vinho tinto e chocolate amargo... bem amargo. Depois do buraco, quis ressuscitar todas as borboletas... uma a uma... e não sabia se seria possível. Tem erros que se cometem e não têm mais volta. Eu queria muito que ele me desse a mão, me tirasse desse buraco e voltasse. Eu estava esperando e nem sabia. Olhando cada mensagem e esperando... essa semana aprendi, de várias formas, que a impaciência e a imprudência podem fazer estragos. Ainda bem que não fez... pelo menos não tanto quanto eu achava que poderia ter feito... e descobri uma música que fez todo o sentido... segue aí embaixo... talvez nossa primeira música... a primeira que faz sentido...}


Fechei...

Assisti ao filme Tropa de Elite 2... em Brasília, com o meu namorado... essa parte foi uma delícia! Estou falando tanto desse filme com todos que encontro que já estão dizendo que estou ganhando para propagandear o filme por aí. Não estou ganhando nada não. Mas o filme é mesmo o melhor filme que já vi nos últimos tempos. É um soco no estômago. É real! Real demais... pena que as pessoas devem sair do cinema e, em 10 minutos, esquecerem aquilo que viram, esquecerem nossas responsabilidades nessa merda toda... e eu me incluo nisso.

Tropa de Elite 2, muito superior ao primeiro filme, derruba o mundo dos Ursinhos Carinhosos de Habermas... acaba com a nossa ideia de democracia, de deliberação, de participação... nós somos todos fantoches... e o nosso país é nojento... já dizia meu amado Renato Russo... Que país é este???

E somos ainda obrigados a ter essa maldita polarização PSDB X PT no segundo turno... polarização que não acaba... sempre mais do mesmo... sempre a mesma merda... elegemos os mesmos... mesmo mudando... nada realmente muda... porque o sistema, meu irmão, é uma grande falácia.

“O sistema é foda, parceiro.” – Coronel Nascimento

Eu quero Coronel Nascimento pra presidente!!!


Lá vai a música que falei...

In my place
Coldplay

In my place, in my place
Were lines that I couldn't change
I was lost, oh yeah
I was lost, I was lost
Crossed lines I shouldn't have crossed
I was lost, oh yeah

Yeah, how long must you wait for it?
Yeah, how long must you pay for it?
Yeah, how long must you wait for it?
For it

I was scared, I was scared
Tired and underprepared
But I waited for it
If you go, if you go
Then Leave me down here on my own
Then I'll wait for you, yeah

Yeah, how long must you wait for it?
Yeah, how long must you pay for it?
Yeah, how long must you wait for it?
For it, yeah

Sing it please, please, please
Come back and sing to me
To me, me
Come on and sing it out, now, now
Come on and sing it out, to me, me
Come back and sing it.

In my place, in my place
Were lines that I couldn't change
I was lost, oh yeah
Oh Yeah

Baby… eu sinto muito a sua falta…

4 de out. de 2010

O país da piada pronta



Hoje, dia 3 de outubro, acordamos e era dia de votar. Olhamos para o título de eleitor e, mesmo com todos os problemas que isso acarretaria, pensamos em não votar. Carregar nas costas as responsabilidades de eleger prostitutas, palhaços e filhos da puta em geral seria doloroso demais. Não votamos. Ninguém votou. E no final da tarde, perplexo, Willian Bonner dá a notícia na Globo: ninguém votou! Nem mesmo ele... Nem os próprios candidatos.

Licença a parte à obra de José Saramago, hoje essa foi a vontade geral... Posso apostar.
Não temos opção, não temos deliberação pública, não temos vergonha na cara. O país da piada pronta só poderia eleger palhaços e prostitutas.
E a urna é ainda nossa única opção para exercermos a democracia. Mas essa eleição nada mais é do que o reflexo de um país inculto, que não tem educação de qualidade e gera adultos cada vez menos comprometidos, que vende o voto para qualquer safado e por qualquer migalha.
E o Zé Povinho, que só porque faz um carnê das Casas Bahia em 20 prestações e compra home theater, acha que sua vida melhorou demais. Enquanto isso, 300 picaretas, agora sem nem precisar do anel de doutor, fazem farra em Brasília às nossas custas. Parabéns coronéis, vocês venceram outra vez! Porque não é o Tiririca que levou essa eleição, mas sim os cinco ou seis vagabundos que ele vai levar junto com ele para Congresso. Parabéns eleitor! É a festa da democracia. Ano que vem o TV Fama vai cobrir Congresso Nacional!

Notícia boa: Netinho de Paula, contra todas as pesquisas eleitorais, não se elegeu! Um a menos para o TV Fama cobrir...

No meio de tudo, você... me salva da selva...



Olha que casal mais lindo... num dia cheio de borboletas, eu e o Shamash...

19 de set. de 2010

Estou pronta para embarcar


Eu tenho pena de pessoas tristes... mais até do que de mendigos e meninos de rua, apesar de que um pode viver no outro. E não falo daquela tristeza do dia a dia, quando você falha em algo importante, ou quando perde alguém, seja no sentido figurado ou literal. Isso são tristezas que se supera... falo da tristeza que está impregnada na alma, que é expressa nos olhos, que cria uma casca dura e impenetrável no coração.


E tenho pena porque deve ser terrível não conseguir se livrar dessa armadura... hematomas profundos demais...

Já olhei os olhos de alguém cuja tristeza jorrava para fora... Eu já cheguei perto disso... mas escapei enquanto era tempo. Ainda bem! Porque hoje me sinto tão plena de felicidade que gostaria de espalhá-la para todos os seres humanos. Ser feliz se resume a uma única palavra: amar... verbo intransitivo, como diria Mário de Andrade... a única justificativa da vida.

Amar o que se é, amar o que faz, amar seu mundo, amar a vida... amar alguém!

Durante muito tempo eu senti como se a música do Arnaldo Antunes, essa que vai aí embaixo, chamada Contato Imediato, fosse minha... um clamor para alguém me tirar do torpor, para alguém chegar na minha vida e mudar tudo... para alguém entrar de repente e me fazer sentir borboletas de novo...

Incrível! Eu nem sabia que esse alguém já estava na minha vida. Como perdi oportunidades e tempo... mas, ainda bem, Deus não costuma desistir de mim, assim como meu querido também não desistiu... e me tirou do torpor...

Agora me pego sentindo frios inexplicáveis na barriga... arrepios... felicidade... vontade de dançar... vontade de gritar para o mundo que essa é a solução para todas as tristezas...

Shamash... eu também não sei como será o futuro. Também não sei o lugar físico onde iremos viver. Não sei tantas coisas... não sei o que é isso que está dentro de mim... mas sei que é bom demais. E quero muito vivê-lo! Com todas as certezas, incertezas, alegrias, prazeres e o que mais vier... que venha tudo!

Não precisamos pular etapas, porque viver cada uma delas será fantástico, nossa viagem ao espaço sideral...

“Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar
Me leve para passear

No seu disco voador
Como um enorme carrossel
Atravessando o azul do céu
Até pousar no meu quintal

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto para embarcar
Sem me preocupar e sem temer

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui
Livre para navegar
No espaço sideral
Porque sei que sou

Semelhante de você
Diferente de você
Passageiro de você
À espera de você

No seu balão de são joão
Que caia bem na minha mão
Ou numa pipa de papel
Me leve para além do céu

Se o coração disparar
Quando eu levantar os pés do chão
A imensidão vai me abraçar
E acalmar a minha pulsação

Longe de mim
Solto no ar
Dentro do amor
Livre para navegar
Indo para onde for
O seu disco voador”
Contato Imediato – Arnaldo Antunes

7 de set. de 2010

Será que a sorte virá num realejo?


Estou esperando... ansiosa, com expectativas mil, cheia de interrogações para transformar em exclamações... prefiro exclamar do que interrogar...


E nessa espera sem fim, porque os dias parecem não passar quando se espera, confesso que estou confusa... mas numa confusão gostosa, que me faz sorrir sozinha...

Sinto que tem algumas lagartas dentro de mim, querendo se transformar em centenas de borboletas. Será?

O fato é que alguma coisa mudou em mim... e estou curtindo essa mudança... porque eu não essa mulher fatal, arrasadora de corações, a “chefe”, inatingível como sou vista muitas vezes. Isso é máscara. Só para impressionar. O que eu quero mesmo é mostrar quem realmente eu sou. Cheia de imperfeições, com uma história insignificante, reinventada... mas que chegou em algum lugar. Quero mostrar os meus medos e me abrir... e viver com intensidade o que está reservado para nós.

Por que não enxerguei antes? Por que tenho que colocar Muros de Berlim em volta de mim?

Chegou a hora de derrubar esses muros... todos eles... estou pronta para dar as primeiras marretadas.

Mas preciso da presença, preciso sentir, preciso dos toques... preciso de pele, de voz, tudo junto... acontecendo de uma vez, sempre, com toda força.


The only answer is YES!

“Será que a sorte virá num realejo?
Trazendo o pão da manhã
A faca e o queijo
Ou talvez... um beijo teu
Que me empreste a alegria... que me faça juntar
Todo resto do dia... meu café, meu jantar
Meu mundo inteiro...
que é tão fácil de enxergar... E chegar
Nenhum medo que possa enfrentar
Nem segredo que possa contar
Enquanto é tão cedo
Tão cedo”
Realejo – O Teatro Mágico

29 de ago. de 2010

#@*&%%$#@!!??##@@πø∞Ɣ҉##@&&*&$##

Sim… eu estou puta! Hoje o post é irritado e deprê, em certa medida...

Tenho apenas um mês... falta um mês para acabar meu ano 3, o que era pra ser o meu ano mais bonito... entro no inferno astral e já entro com o “pé direito”... e, quer saber: foda-se!

Estou cansada de ser humano... estou cansada de ser humana.

Eu quero uma fresta para me esconder de vez em quando. Uma fresta que esconda todos os meus hematomas, todas as dores e decepções, incluindo aquelas que não posso contar. Sapos gigantes que engulo a seco e continuam fazendo estrago no meu estômago.

Preciso apagar tantos carmas que sinto que a borracha é pequena e o tempo é curto.

Estou decepcionada hoje e estou farta de ver as pessoas me decepcionando. Esse semana muitas máscaras caíram e outras foram recolocadas. Mas de que adianta recolocar se continuo sabendo que são máscaras?

Mas, enfim... como sempre digo... é só por hoje e já passou.

E sinto que passou também quem eu era... as decepções se transformam numa muralha, num escudo... de onde não consigo sair mais, nem deixar ninguém entrar. Tem gente que chama isso de arrogância. Eu chamo de proteção. Mas confesso que existe uma boa dose de superioridade no que estou fazendo.

Taí a minha fresta. Estão me ajudando a criá-la.



Seguem fotos de alguns de meus hematomas... olha só minhas pernas depois da cirurgia...








Mudando de assunto...

Vocês já viram o comercial novo da Brastemp? Aquele que o povo segura espelhos no centro de São Paulo e inverte o céu com o chão?

Tudo isso para lançar a nova geladeira, que inverte o congelador, colocando embaixo...

Mas o comercial, independente do que ele pretende vender, é muito bonito, incluindo trilha sonora e tal. E acho que vai bem... vamos inverter também nossa mente...

Vejam o comercial completo, porque o que está no ar já está cortado...

Clique aqui


A música de hoje.......

Nem vem que não tem
Wilson Simonal

Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de garfo
Que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro
Passa a minha roupa
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de escada
Que o incêndio é no porão
Tira o tamanco
Tem sinteco no chão
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais

Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...

Nem Vem Que Não Tem
Prá virar cinza
Minha brasa demora
Michô meu papo
Mas já vamos'imbora
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais

Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...

Nem Vem Que Não Tem!

12 de ago. de 2010

Queremos Vanusa cantando Faroeste Caboclo!


Depois de pular de cabeça nas águas turbulentas da esfera pública, da deliberação, das redes digitais, entre outros assuntos interessantes somente para quem cursa o mestrado da Cásper, fiquei um tempo em total estado de alienação e preguiça intelectual... Mas estou voltando à ativa... com força total e lendo Habermas até enlouquecer...


Em respeito aos meus leitores, não vou ficar discorrendo sobre as mudanças estruturais na esfera pública... ou vocês querem? Hahahaha...

O que importa dizer é que meu projeto foi aprovado, apesar de o professor de tecnologia da informação quase acabar comigo na entrevista, porque o papel dele era esse, mas, segundo minha orientadora, eu me saí surpreendentemente bem... aguentei firme e não me abati em nenhum momento... resultado do estágio que venho fazendo há quase 5 anos no Crefito...

Voltando à Cásper... agora sou oficialmente mestranda da Cásper Líbero... esse semestre faço duas matérias, participo do grupo de estudos e ainda minha orientadora me convenceu a participar do grupo de discentes da faculdade... ou seja, me internem se eu começar a escrever loucuras filosóficas nesse blog... faz parte do plano!

Ah... e tem também o Vinho Filosófico, que acontece uma vez por mês na Livraria da Vila e reúne os mestrandos da Cásper para conversar e tomar vinho, claro! Estou dentro!

Além disso tudo, tem o Crefito, meu trabalho querido, onde eu me acabo de tanto trabalhar... minha mesa cheia de papéis e meu Mac cheio de arquivos... hahahaha...

Mas quer saber? Estou mega feliz, me sentindo tão bem e tão realizada, que não tem me faltado nada, nadinha mesmo...

Ah... estarei em repouso semana que vem... vou fazer a cirurgia nas veias e deixar minhas pernocas lindíssimas! Vou contar aqui como foi tudo, para vocês acompanharem...

Vocês viram a Vanusa dando show de novo? Vejam... porque é hilário!!! Mais um sucesso no YouTube, no Twitter e no CQC... hahahaha...
http://www.youtube.com/watch?v=jMjr71R4s6M
Eu concordo com o Bruno Mazzeo... quero ver a Vanusa cantando Faroeste Caboclo!!!

“They say the devil's water it ain't so sweet
You don't have to drink right now
But you can dip your feet
Every once in a little while”
When you were young – The Killers