Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

5 de jun. de 2011

Vamos de Clarice Lispector… na veia!





O GRITO


Sei que o que escrevo aqui não se pode chamar de crônica nem de coluna nem de artigo. Mas sei que hoje é um grito. Um GRITO! de cansaço. Estou cansada! É óbvio que o meu amor pelo mundo nunca impediu guerras e mortes. Amar nunca impediu que por dentro eu chorasse lágrimas de sangue. Nem impediu separações mortais. Filhos dão muita alegria. Mas também tenho dores de parto todos os dias. O mundo falhou para mim, eu falhei para o mundo. Portanto não quero mais amar. O que me resta? Viver automaticamente até que a morte natural chegue. Mas sei que não posso viver automaticamente: preciso de amparo e é do amparo do amor.
(...)
Voltando ao meu cansaço, estou cansada de tanta gente me achar simpática. Quero os que me acham antipática porque com esses eu tenho afinidade: tenho profunda antipatia por mim.
O que farei de mim? Quase nada. Não vou escrever mais livros. Porque se escrevesse diria minhas verdades tão duras que seriam difíceis de serem suportadas por mim e pelos outros. Há um limite de se ser. Já cheguei a esse limite. (Aprendendo a Viver, Ed. Rocco, pág. 195)

DEUS

Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: e depois da morte? Mesmo para os descrentes há o instante de desespero: que Deus me ajude. Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. E estou precisando de minha própria força. Sou forte mas também destrutiva. Autodestrutiva. E quem é autodestrutivo também destrói os outros. Estou ferindo muita gente. E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Ou talvez os que menos merecem precisem mais. Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais. (Aprendendo a Viver, Ed. Rocco, pág. 205)

15 de mai. de 2011

Mundo líquido? Eu acho que o mundo está é gasoso...



Estou lendo Amor Líquido, de Zygmunt Bauman, para uma apresentação no mestrado e confesso que, apesar de muitos dizerem que ele é pessimista e apocalíptico, eu estou achando que ele é até realista... uma realidade que assusta, mas está aí, bem nas nossas caras, facebooks e twitters...


Bem, explicando um pouco, Bauman fala que vivemos a era da liquidez das relações, que são fluidas, instantâneas, sem laços... basicamente é isso. Se alguém não serve mais em sua vida, basta dar um BLOCK (e é tão bom dar block em alguns indesejáveis... ai, ai... prazeres indizíveis...).

Por outro lado, saiu uma matéria sobre o Censo do IBGE, que diz que aumentou mais de 70% as pessoas que moram sozinhas. Morar sozinha tem muitas vantagens... é a liberdade em toda a sua plenitude. E aí está outro bom exemplo da liquidez das relações de que Bauman fala.

Fico pensando porque as pessoas estão deixando de lado, cada vez mais, as raízes, os laços fortes, para se envolverem em relações líquidas... é o poder da conquista que me vem a mente. É tão boa a fase da conquista... olhares, beijos que causam borboletas no estômago, olhares, frio na barriga, olhares... é a conquista... depois vira rotina e o ser humano quer mais conquista...

Mas a liquidez é tamanha, quase gasosa, que nem olhares e frio na barriga têm mais... é quer, quer, não quer, BLOCK! Tudo muito insensível, invisível... quase nada... só prazer por prazer. É possível esse tipo de prazer? Não consigo, confesso...

Quando eu era mais nova, adolescente, eu acreditava em amor à primeira vista... amei à primeira vista meu primeiro namorado... e foi ótimo todo o tempo que durou... hoje, não acredito mais... acredito que o amor vem com a convivência, com a amizade... só consigo amar depois de conhecer a pessoa, de conversar, de ter algum contato mais aprofundado... por isso tenho tanta dificuldade em baixar a guarda... quando baixo, é porque o cara é realmente especial... ou vejo algo de especial nele... e assim fica tudo muito mais gostoso...

Voltando a Bauman, fico pensando se o futuro vai ser todos vivendo sozinhos... cada um no seu canto, se encontrando somente quando estão afim, vivendo mundos paralelos... pode ter suas vantagens, mas o esforço diário para manter uma relação também tem seu charme... e é isso que falta nos dias atuais... achar o charme de se viver a dois. Se o bom do começo de uma relação é a conquista, por que não fazer da relação uma conquista diária? Deve ser bom demais criar um vínculo que está cada vez mais raro... um clichezão gigante, mas tão verdadeiro...

E nada de relações “empurra com a barriga”... se for assim, melhor a liquidez... ainda acredito nas relações sólidas, de amizade, de companheirismo, de namoro... de tudo que faz bem...

Mudando de assunto... hoje no Facebook “inventei” o termo Filosofia do Sabonete para aqueles que acham que são grande coisa mas não são nada e vivem a vida alheia, ou o passado, enfim... como tem gente assim no mundo... senhor!!! Pensei nesse termo por causa do filme Clube da Luta... eles fabricam sabonete, lembram? Fiquei pensando que eu nem deveria perder meu precioso tempo com isso... e mais: respeito quem as pessoas são, por mais estranho e no sense que possa parecer. Mas não gosto de saber que estou sendo “chicoteada” pelas costas... e sei que sou. Penso ainda que deve ser difícil conviver com quem eu sou, não é? Ai, ai... tenho pena!

Para finalizar, Bauman:

“E assim é numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro”.

“Não é verdade que, quando se diz tudo sobre os principais temas da vida humana, as coisas mais importantes continuam por dizer?”

7 de fev. de 2010

Se eu pudesse ter mais de 24 horas por dia...


Hoje abri o meu armário e dei de cara com meus livros... todos eles me cobrando um afago, uma olhadela, uma folheada... todos eles carentes de mim... e me senti culpada e saudosa...

Saudosa dos dias em que eu conseguia ler... devorar meus livros um a um, com intensidade, amor e prazer...

E eles continuaram me olhando... muitos já degustados e rabiscados (sim, eu tenho essa mania!), outros apenas folheados, lidos em algumas partes, como os de poesia, que abro e folheio em momentos próprios, quando preciso de injeções fortes de Mário Quintana, meu grande amor ao lado de Chico Buarque, ou de Clarice... ou de Drummond...e alguns estão intocados, para minha total tristeza e lamento.

Já tentei fazer promessa... não vou comprar mais nenhum livro enquanto não ler TODOS que estão comprados. Mas não resisto a uma livraria, não resisto ao folhear das páginas e... pronto, já estou no caixa!

Consigo parar de comer chocolate (essa promessa eu cumpri... está certo que foi só um mês), consigo ficar sem TV, consigo ficar sem beber (também já cumpri esse desígnio... foram três meses sem beber!)... mas ficar sem livraria, sem livros, sem comprar um livro... aí já é pedir demais!

Mas preciso arrumar tempo para eles... para me envolver nos braços de cada um deles e partilhar de suas sabedorias...

Tempo... eita assunto que me ronda 24 horas por dia... eu quero mais... quero 32 horas, quero não precisar dormir, quero poder fazer tudo e muito mais. Mas o tempo, esse velho amigo, não quer saber de paz e sossego... ele corre veloz e, quando vejo, já é meia-noite, já é o dia seguinte, já é fevereiro, já é carnaval... já são as águas de março por todo o verão...

E eu acabo acompanhando essa corrida veloz, esquecendo-me de olhar para os meus queridos... ali, sozinhos, na prateleira do armário... sempre esperando por mim.

E já que falei de Mário Quintana...

O que o vento não levou

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

16 de set. de 2009

Saudade... que dor e delícia é essa?


Existem tipos diferentes de dor... a dor física – dói também... sabe aquela batidinha leve no cotovelo, que nem parecia que iria doer tanto, mas parece uma cirurgia de cérebro sem anestesia? Essa é a dor física...

Mas pior do que a dor física é a dor emocional... por exemplo, a dor da saudade... pode ser saudade de um tempo, da infância, da família que está longe, de colo de mãe, de bolinho de chuva, do cheiro de terra molhada, da lua cheia e de um céu estrelado... mas dói muito... mais do que a topada no cotovelo, a dor da ausência de alguém que não deveria estar ausente...

É saudade da pele, do cheiro, do gosto... saudade da presença, mesmo estando logo ali... saudade de borboletas, saudade de campainha... eram dias sem ver, mas sabia que cedo ou tarde estaria ali... cedo ou tarde os trens subiriam os trilhos novamente e o eixo da Terra voltaria para o lugar certo. Sabia que o sentimento continuava ali... e continua... mas agora resta a saudade, não consentida... de algo que se vai para deixar um vazio no lugar... e não se sabe como preenchê-lo.

Saudade é não saber... não saber quando o sentimento vai voltar para dentro de você... é não saber quando a felicidade vai pegar a sua mão de novo e fazê-la voar... é não ter certezas... é não saber o que fazer com o que você é... com o que sente e vem tão forte e fundo e soa tão bom... Saudade... é não saber o que fazer com as lágrimas, com as músicas, com o quarto, que era tão pequeno e agora não acaba mais... com o pensamento...

Clarice Lispector, em toda sua grandeza e sabedoria, já dizia que “saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda (...)”. É isso...

E então nada fica mais forte do que nosso desejo... na luta entre o cérebro e o coração, em mim o coração ganha de lavada...

Está tudo planejado dentro de você... tudo acertado... apesar da saudade... a cabeça já sabe o que dizer e fazer... mas aí... aparecem as borboletas... assim de repente... entram pela porta da frente, preenchem o vazio e adeus planejamento. Os neurônios desligam completamente... e você só fica inebriada com um único gosto...

Derrete-se, consome-se, entrega-se... e ganha um sorriso enigmático nos lábios e um dia mais e mais feliz... não... eu não quero ter as rédeas de nada... eu quero mesmo é ser feliz... e não sentir tanta saudade...

E espero que um dia ninguém me julgue por ter feito tudo, tudo, tudo com o coração...

Remissão
Naquele dia fazia um azul tão límpido, meu Deus, que eu me sentia perdoada para sempre não sei de quê.
Mário Quintana

13 de mai. de 2009

Que momento!


Estou correndo tanto... que sinto meu corpo não parar de pulsar mesmo quando eu paro, deito e tento relaxar... estou realmente trabalhando demais... e tentando estudar um pouco mais... sinto que estou quase uma workaholic... ou melhor... workalover... I hope!

Dizem que a diferença entre um e outro é que o workaholic trabalha e trabalha obcecadamente, enquanto que o workalover trabalha porque gosta do que faz... eu gosto... really... mas às vezes as atitudes de alguns colegas me cansam... faz com que eu me sinta usada... e é assim mesmo... faz parte do jogo e do trabalho.

O que me deixa chateada é que, estando sobrecarregada, não consigo dar conta de tudo com qualidade... gostaria de caprichar mais em algumas partes, entender mais de outras e não dá tempo! Desabafei!

Como estou nesse ritmo frenético, confesso que pensei em dar o bolo em vocês, leitores... I´m sorry! O dia foi longo, estou com dor de cabeça, querendo assistir Brothers & Sisters no Universal... estou chata, não é?! (Cá entre nós, acho que é TPM). It´s so much pressure!

Mas, não... não vou deixar de escrever... afinal, essa é a parte de que mais gosto.

Como sou fã de ironia – a figura de linguagem mais interessante da língua portuguesa – vou pinçar uns trechos do livro Ironia, frases soltas que deveriam ser presas, de José Francisco de Lara (Editora Cócegas)... de vez em quando, vou publicar alguma parte desse livro aqui... é hilário! É como eu sempre digo... ache graça da vida! “Ria, e o mundo rirá com você. Ronque, e dormirá sozinho”. RS...

Uma de Mário Quintana...
“A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita”.

Outra de Muhammad Ali...
“Às vezes eu tento ser modesto. Mas aí... começam a me faltar argumentos”.

E em minhas buscas de músicas que ainda não ouvi, baixei o CD todo do Jason Mraz... e achei muito bom. Gostei especialmente da música I melt with you... tem um ritmo gostoso, que dá vontade de sair dançando... e a letra é uma graça... segue aí... pra variar...

Moving forward using all my breath
Making love to you was never second best
I saw the world thrashing all around your face
Never really knowing it was always mesh and lace

I'll stop the world and melt with you
You've seen the difference and it's getting better all the time
There's nothing you and I won't do
I'll stop the world and melt with you


You should know better
Dream of better lives the kind which never hate
You should see why
Dropped in the state of imaginary grace
You should know better
I made a pilgrimage to save this humans race
You should see why
What I'm comprehending a race that was long gone by

I'll stop the world and melt with you (let's stop the world)
I've seen some changes and it's getting better all the time
There's nothing you and I won't do (Let's stop the world)
I'll stop the world and melt with you

The future's open wide (The future's open wide)
The future's open wide

15 de abr. de 2009

No fim do arco-íris...


Incrível! Sonhei com o pote de ouro no final do arco-íris por tanto tempo... como eu quis chegar ao final dele. Mas era tão dura a caminhada, cheia de altos e baixos, e eu nunca chegava...

Perdi-me no caminho, encontrei atalhos que me levaram a pores-do-sol fantásticos, a paisagens outstanding, sem pote de ouro, sem nada palpável, só a plenitude... estar plenamente feliz...

Continuei a trilhar o caminho, sem levar a nada, só carregando na mochila a esperança de encontrar outro atalho...

Nessa caminhada, esqueci-me da estrada de tijolos dourados, esqueci-me do pote de ouro, esqueci-me até do arco-íris. E eis que, sem pensar em nada, topei com ele... todo lá, inteiro, com todas as cores, com todas as moedas douradas... meu, do jeito que eu sempre desejei. Todo meu, entregue.

Mas cadê a plenitude? Cadê o gosto da felicidade plena? Incrivelmente, aquilo não me causou sensações, borboletas...

O pote era o mesmo. A mesma casca, o mesmo conteúdo, sempre instigante e encantador... mas não... realmente não me causava a plenitude.

O pote poderia ser meu, eu poderia possuí-lo ali, prendê-lo para sempre. Mas foram os atalhos que me encantaram, mesmo não os possuindo. O pote de ouro ficou banal demais depois que passei pelo atalho... e senti.

Eu passaria a vida esperando pelo atalho, mesmo não podendo possuí-lo. Dane-se o pote de ouro! Eu quero mesmo é a plenitude!!!

Já dizia Luís Fernando Veríssimo... “Quando você acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”.
Que bom!!!
Pena que os atalhos são tão raros... mas se pude chegar ao inesperado pote de ouro, por que não posso morar, quem sabe, um dia qualquer, numa tarde vazia, ou manhã, num atalho?

“(...)
Lembro como se fosse ontem, mas aconteceu há exatos vinte anos. Eu estava sozinha – não havia um rosto conhecido a menos de um oceano de distância – sentada na beira de um lago. Fiquei um tempão olhando pra água, num recanto especialmente bonito. Foi então que me bateu uma felicidade sem razão e sem tamanho. Deve ser o que chamam de plenitude. Não havia acontecido nada, eu apenas havia atingido uma conexão absoluta comigo mesma. Não há como contar isso sem ser piegas. Aliás, não há como contar, ponto. Não foi algo pensado, teorizado, arquitetado: foi apenas um sentimento, essa coisa tão rara.
De lá pra cá, nem hino nacional, nem gol, nem parabéns a você me tocam de fato. Isso são alegrias encomendadas e, mesmo quando bem-vindas, ainda assim são apenas alegrias, que é diferente de comoção. O que me cala profundamente é perceber uma verdade que escapou dos lábios de alguém, um gesto que era pra ser invisível mas eu vi, um olhar que disse tudo, uma demonstração sincera de amizade, um cenário esplendoroso, um silêncio que se basta. E também sensações íntimas e indivisíveis: você conquistou, você conseguiu, você superou. Quem, além de você, vai alcançar a dimensão das suas pequenas vitórias particulares?
Eu disse pequenas? Me corrijo. Contemplar um lago, rever um amigo, rezar para seu próprio deus, ver um filho crescer, perdoar a si mesmo: tudo isso é gigantesco pra quem ainda sabe sentir.”

Martha Medeiros, extraído da crônica Emoção X Adrenalina, do livro Doidas e Santas.

5 de mar. de 2009

De repente toda a mágica se acabou...

Está difícil escrever... o papel fica assim... branco, pálido, olhando pra mim... eu olhando pra ele...

Tenho infinitos textos para fazer... matérias, revista, trabalhos da pós, blog... meus... mas estou numa fase tão ensimesmada, que meu olhar – interno e externo – não tem ido muito além de mim...

Tenho decisões difíceis a tomar...

Quem acompanha este blog sabe que eu tive meses e meses de borboletas... de caos... o caos do bem, do bom, da alegria...

Mas agora cheguei na beira do abismo... pular ou dar meia volta? Meu espírito sempre manda pular... tentar voar... as probabilidades de me esborrachar lá  embaixo são enormes... 90... 95%... quem sabe até mais... mas eu queria mesmo voar! Ou tentar... mesmo com tanto em jogo...

Então... é isso... do jeito que era pra ser... nós sempre chegamos às escolhas...

E é tão difícil conviver de novo com o trivial depois de ter compartilhado borboletas... é tão difícil deixar a coroa de rainha... riscar um Xis vermelho nas esperanças (por mais que elas pareçam absurdas)...

A vida acontece sem a nossa concordância... se tudo é perfeito, o mar tranqüilo, as peças se encaixam, a alegria é sem fim e as borboletas fazem festa dentro de nós, por que existem os anzóis?

Anzóis que nos machucam... que insistem em perfurar cicatrizes já existentes... que não nos permitem ser felizes... merecemos ser felizes... você merece ser feliz... por que não... se tudo convida para o sim?

Ah... tem os anzóis...

O que vocês escolheriam? Pular ou dar meia-volta? Enfrentar os anzóis, em busca das borboletas? Continuo minha viagem na Montezum? Ou levanto as mãos e cruzo os braços para sair?

Em 2008 tive tantas borboletas que hoje meu maior medo é nunca mais senti-las...

 

NAO NOS CONTARAM

Martha Medeiros

 

Hoje é o momento ideal pra falar de sacanagem. Mas nada de ménage à trois, sexo selvageme práticas perversas, sinto muito.

Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo,  amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. 

Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. 

Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.

Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um",duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. 

Não nos contaram que isso tem nome: anulação. 

Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.

Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz,a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.

Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, nem contaram que ninguém vai contar. 

Cada um vai ter que descobrir sozinho.E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo,vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém. 
 

19 de fev. de 2009

Espero que o tempo passe...


Galera no Hopi Hari... hooooouuuuu!!!!

Up and down... up and down... e lá vem minha montanha-russa outra vez. Não quero Carnaval... não quero mais uma vez quintal... quero o mar... as mãos... o pôr-do-sol... me enroscar...
Quero de novo...

Por que cheguei a 360º? Quero voltar aos 350º... estava confortável... estava aconchegante... era para chegar a 355º, no máximo... quero voltar!

Mas a vida não é segura, não é monótona... e amanhã estarei no topo novamente... claro que estarei...

Esses dias assisti ao My Blueberry Nights... que me levou a consumir dezenas de blueberry muffins do Starbucks... oh, coisa boa!!! Parênteses... todas as esquinas de todas as casas deveriam ter um Starbucks... Moccha quentinho a toda hora...

Fecha parênteses... o filme é dúbio... não sei se gostei... não se sabe... mas ele deixa um gosto na boca... uma vontade de mais... e o Jude Law consegue deixar qualquer mulher apaixonada... vale a pena... a trilha sonora é muito bonita, o enredo, apesar de paradinho, é gostoso... assim como a blueberry pie... sempre lá, esperando por uma única pessoa...

Outro filme a que vi foi o Ensaio sobre a cegueira... que coisa... estou chocada até agora... o filme é muito bom... forte, machuca, nos faz pensar e repensar nossas condições... e ver São Paulo arrasada passando nas telas é, no mínimo, interessante (não achei palavra melhor)... parte do filme foi filmada em São Paulo, principalmente na região central... inclusive tem uma cena na Av. Paulista... quem mora aqui reconhece no ato... Bom... muito bom!
Só para constar... estou sentindo falta... de mim... de quem eu estava sendo... mas eu vou voltar...

“Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de ‘pra sempre’. Muitas vezes o ‘pra sempre’ não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar”.
Martha Medeiros

11 de fev. de 2009

Sou tão perto de você


Ser feliz é a única justificativa da vida... não sei se estou, única e exclusivamente, sentindo uma alegria que vem, única e exclusivamente, de mim. Mas estou... e se sou única, agradeço a Deus pela sorte que tenho tido... a Deus e aos meus avós queridos, que sei que olham por mim, de onde quer que eles estejam...

Tenho me sentido assim... embriagada... de vinho, de poesia, de sol, de calor, de palavras... naturalmente... assim...

Estou me sentindo na essência de mim mesma... celebrando o simples fato de viver... viver do jeito que eu desejei... sentindo a poesia prevalecendo em cada olhar, em cada canto... que bom que pode ser assim!

Pode ser que eu esteja um tanto quanto alienada do mundo (na verdade, não estou...), mas presenciar esse meu ser, tão confuso, tão montanha-russa, tão inseguro, neste momento modificado 350º, tão high... tão pleno... não, desculpem-me, não posso deixar de curtir esse meu momento... deixem-me criar asas... me livrar de minhas marcas e faça o Sol!

Então... na agenda que comprei esse ano, da Tribo, veio um texto de Charles Baudalaire, que reproduzo porque vale a pena... e tem a ver...


“É necessário estar sempre bêbedo. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas – de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:
- É a hora da embriaguez! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos, embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.”

Terça eu tive a primeira aula do José Arbex no curso da pós-graduação... o cara é excelente... um jornalista e tanto... poucos caras são éticos e corajosos como ele... ele foi editor da Folha de São Paulo, colunista da revista Caros Amigos e hoje é simplesmente acadêmico... desistiu do jornalismo... alega que o mundo das redações é muito podre, sem a verdade, que seria a “arma” do jornalista... É complicado! Para um cara extremamente ético, como o Arbex, viver nesse meio é f..... ou você vende sua alma ao diabo, ou perde o emprego ou perde o fígado... ele disse que escapou por pouco de perder o fígado... e o bom humor...

Eu dei muita sorte... gosto do que faço e faço com prazer... não tive que passar por nenhuma situação de escolhas difíceis, que colocariam minha ética, minha consciência em jogo... não sei o que faria... sou sincera em dizer isso... talvez vendesse minha alma ao diabo, que, neste caso, é o diretor do jornal... afinal, precisamos viver e sobreviver... mas não sei se seria a mesma depois disso...

Admiro muito o Arbex por nunca ter se permitido se sujar... pela ética e incorruptibilidade acima de qualquer coisa... admiro de verdade! Mas, olho para ele, e vejo também aquela tristeza de quem viu que vive num mundo podre e sujo... e somatiza tudo isso... e se perde... perde o brilho no olhar, a esperança, o pôr-do-sol... perde as borboletas... não gostaria de ficar assim... e acho que o Arbex deveria se embriagar mais... de vinho, de poesia... porque virtude ele já tem de sobra.

Para acabar... segue a música título desse post... Perto de Você... do Teatro Mágico... que dedico a alguém que me embriaga sempre... alguém que eu queria encontrar toda terça, na saída do metrô...

Quando começar o frio, dentro de nós
Tudo em volta parece tão quieto
Tudo em volta não parece perto
Toda volta parece o mais certo
Certo é estar perto sem estar
Perto de você, sou tão perto de você, sou tão perto de você

Quando o tempo não passar, dentro de nós
Cada hora é como uma semana
Cada novo alô é mais bacana
Cada carta que eu nunca recebo
É sempre um motivo pra lembrar
Sou tão perto de você

Vida amarga, como é doce a dor da palavra dita de tão longe, dita de tão longe, dita de tão longe...

Quando alguém se machuca, dentro de nós
Toda culpa parece resposta
Nossa busca não parece nossa
Nosso dia já não tem mais festa
Não tem pressa nem onde chegar
Sou tão perto de você

Quando a paz se anunciar, dentro de nós
É porque aquilo que nos cega, mostra um outro lado pra moeda
Que não paga as coisas do meu peito
O preço é me fazer acreditar
Sou tão perto de você

Vida amarga, como é doce a dor da palavra dita de tão longe, dita de tão longe, dita de tão longe

Quando a música acabar, dentro de nós...

28 de jan. de 2009

Peças que não se encaixam...

Antes de começar, devo dizer que estou pensando em mudar o dia de atualização desse blog... marquei de atualizá-lo toda quinta-feira, o que significa que escrevo na quarta, ou melhor, praticamente quinta, porque sempre termino depois da meia-noite. Mas as minhas quartas, como um feitiço, não estão sendo grandes coisas... então, acabo deprimindo por aqui... whatever... por enquanto, vai continuar assim mesmo... toda quinta tem post novo, ok? Até segunda ordem...

Espero que Rubem Alves esteja certo quando diz que “ostra feliz não faz pérola”... porque quem sabe saiam algumas pérolas dessa autora de corpo e alma... aliás este é o livro que estou lendo... Ostra feliz não faz pérola, do Rubem Alves (Editora Planeta). Lindo demais... sensível, humano, tocante... no final, vou transcrever um trecho do livro... sigam até lá...

Bem... quebra-cabeças... terminei de montar um de mil peças, com a figura de Machu Picchu... sempre nas nuvens... esse que eu montei, todas as peças se encaixaram perfeitamente... mas você já montou um quebra-cabeça e, de repente, se dá conta que uma peça, a última, veio trocada? Como bebês trocados na maternidade?



Imagine essa peça... ela não se encaixa ali... às vezes se encaixa, porque os cortes das peças são iguais, mas o desenho não combina... muitas vezes, sequer entra no último buraco deixado... sequer fixa... ela realmente não é dali... o seu lugar no mundo está perdido, em outra casa, onde o quebra-cabeça todo vai sentir falta daquela única peça... e por mais que ele tenha as outras 999, aquela vai ser a mais importante... o difícil é juntá-los... depois que algo se perde, encontrar se torna uma obsessão e uma busca eterna... “a flor rara, podemos passar a vida procurando e mesmo assim não seria um desperdício”. Bem... essa peça olha em volta e pensa... poxa, esse pessoal ao meu redor até que é bem legal... mas não adianta... porque ela não é dali...


Às vezes, os amiguinhos nem são tão legais... a música não ajuda, o sono não ajuda... aí ela percebe que realmente perdeu o caminho... e onde fica a saída e a trilha que me leva de volta?

Chega de quebra-cabeças... vamos falar de ostras e de pérolas... nesse livro, Rubem Alves nos explica que a ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer... assim ela cria um envoltório que tira as pontas da areia... eis a pérola... assim como as ostras felizes não fazem pérola, pessoas felizes não sentem a necessidade de criar... nós criamos porque dói... no meu caso, coloco no papel tudo que dói... minhas pérolas...

Selecionei algumas pérolas do Rubem Alves...

“Gosto da palavra amantes. Amantes são aqueles que se amam. Os amantes, separados pela distância, sentem saudades... Alegram-se com a memória do rosto da pessoa amada. Diferente das palavras marido e esposa. Para ser marido e esposa não é preciso amar. Ouvi de um padre, na sua homilia aos noivos: ‘O que os une não é o seu amor. É o contrato’. Padre ortodoxo aquele (...)”

“Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. E neste espaço o amor só sobrevive graças a algo que se chama fidelidade: a espera do regresso. Quem não pode suportar a dor da separação não está preparado para o amor. Porque amor é algo que não se possui, jamais. É evento de graça. Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E, quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.”

“Quando se tem um problema a ser resolvido tem-se um problema a ser resolvido. Quando ao problema a ser resolvido se acrescentam lamúrias e lamentações, tem-se dois...”

“Não existe remédio melhor para a depressão do que uma cólica renal. A dor é tanta que se enche os espaços mentais, não sobrando tempo para pensamentos tristes. Uma terapia alternativa é encher-se com os sentimentos tristes dos outros. Assim não sobra espaço para os nossos próprios pensamentos tristes.”

30 de dez. de 2008

O último de 2008... acabou!!!




Ai... vou sentir muita saudade de 2008... foi um ano muito bom para mim... agarrei um amor por esse ano... hehehehe...


Esse foi o ano em que eu me encontrei... topei comigo e gostei do que conheci... até então eu ainda era 350°... mas cheguei aonde eu estava... encontrei minha auto-estima e bati longos papos com ela. E fomos recuperando nossa amizade, que andava um tanto quanto avariada...

Há exatamente um ano, eu percebi que precisava de mim mesma... porque aquela garota que fez a contagem regressiva em 2007 para 2008 não era eu... e fiz essa promessa naquele momento: me reencontrar!

Aqui estou!

Saí do jeans 44 para o 38... coloquei um pequeno filtro (bem pequeno porque esse lance de ser “sem filtro” tem suas vantagens) para policiar minhas bobagens... bobagens estas que muitas vezes tem fundamento, mas ninguém confessa... voltei a estudar, como é bom!... fiquei mais bonita, interessante e elegante (e modesta... huihuihui...)... melhorei como profissional... me interessei cada vez mais pela academia... mas, acima de tudo, eu senti... senti e ponto. Verbo intransitivo!

2008 foi o meu ano! Definitivamente sou uma pessoa feliz. Amo minha família, amo as pessoas ao meu redor, amo uma pessoa ao meu redor... amo meu trabalho, amo o lugar onde vivo, meu lugar, e amo cada borboleta que revoou em meu estômago... amo o som de cada música, de cada lembrança que me vem... amo o cheiro dessas gostosuras... amo... e outro ponto!

E quero mais para 2009! Mais borboletas!!! 2009 vai ser o ano do outro... vou topar cada vez mais com ele... até atingirmos o nosso 360°... que venha sempre mais!!!

Obrigada a Deus por ter me proporcionado um 2008 inesquecível!

Desejo a todos um ano novo em folha... cheio de alegria... de sentimentos... de amor... de borboletas e de esperança!!!!


Esperança
Mário Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

17 de set. de 2008

Brain Storm... da ciência contemporânea...

Entendi! Estou no meu inferno-astral... nem me dei conta... até o dia 23 não respondo pelos meus atos librianos...

Agora aconteceu... uma pequena nuvem, muito pequena, que de fato nem sei de onde vem, paira no ar... me faz duvidar... me faz questionar... me faz sentir saudade... sinto... ou não sinto...
Hoje não tem estrelas, elas se foram cedo demais... pouco... menos da metade... quando vou ter a noite toda, inteira, completa, de céu estrelado? Quando eu menos esperar?
Meus céus estrelados... 29 céus...

Ando querendo demais, eu quero sempre mais... na verdade, verdade mesmo, eu queria ser onde minha estrela sossega a alma... eu queria sentir sua cabeça encostada em meu peito... queria vê-lo sorrir...
Oh... somente três... como se fosse possível...

My mind is still there... not only my mind, but my soul, my dream, my cherishing, my desire, my thirsty, my body… all my own… there… in that skin, like a tattoo… I´m all still there! I´m not in me anymore… and I´m afraid I won´t stay here never more!

Qual é o caminho para chegar até você? Para lhe contar?
Eu sei, eu sei... o plano era não passar de três... não ficar sério... não apaixonar...
Aconteceu! Sorry!
Ainda bem! Eu não conseguiria me entregar sem paixão... e não seria tão bom, tão pleno, tão mágico... não preciso falar... você lê meus pensamentos...
E foi tão fácil... justo eu que estive tão fechada como dedos, tão inapta para sentir qualquer coisa... tão exigente com todos...
Foi covardia! Com toda essa mágica que te envolve... com tudo que você é... lindo, inteligente, charmoso, com um sorriso fascinante e encantador, entre todas as outras qualidades off... todas as visíveis!
Soma-se a isso as qualidades que poucos vêem... pele, doce, embriagante cheiro, perfume natural que me envolve os sentidos todos... tremer e estremecer... meu céu estrelado!
Confesso!
E sempre que quiser fugir... nem precisa me chamar... já estarei aí!
Estou te esperando... vê se não vai demorar!







Já estava mais do que na hora de eu fazer meu strip-tease... e segue abaixo o strip-tease da Martha Medeiros... a-d-o-r-o!



Strip-tease
Martha Medeiros

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.

Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara:

"Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância:

"Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado:

"Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo:

"Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:

"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

20 de ago. de 2008

Butterflies in my stomach


Onde estão as borboletas?

Estão no arrepio na espinha?

Estão nos desejos, na espera, na angústia, na alegria sem fim, no sorriso, na vontade louca de dançar e sair rodopiando?

Estão nos olhares de censura? Que talvez estejam só na minha cabeça? Ou estão nos olhares trocados de canto de olho, que ninguém vê?

Estão nas loucuras, no beijo roubado e proibido?

Estão nas falas, nas entrelinhas?

Estão nos toques de mão por baixo do espelho? Nas palavras de uma vida escrita em algumas páginas?

Mas por que elas não estão em todos os lugares?

Por que não estão no olhar certo? No certo... no que tem futuro?

Por que elas aparecem quando aparece o errado? Na finitude daquilo que acaba mais cedo ou tarde?

No entanto, eu quero as borboletas... batendo suas asas e gerando o caos...

Mesmo com toda a espera, com todo o errado... mesmo que venham também as lagartas... ah... eu quero as borboletas!

Não importam suas finitudes... não importam que suas asas, cedo ou tarde, pararão de bater... ah... eu quero!

Eu quero o cheiro de pipoca... eu quero a dor de barriga... eu quero a cor do céu... estrelado, sem nuvens... eu quero a cor da manhã...

Eu quero a manhã mais feliz!

Quero o drama, a mentira, o ciúme, a comédia... ah... as borboletas!

Borboletas que revoavam pelo meu estômago, sobem pela garganta, passeiam em meus ouvidos, rodopiam dentro de mim... cada bater de asas são milhões de dúvidas, receios, encrencas, loucuras... mas quem é que quer a certeza, a razão, o correto, o dia a dia sem tirar nem pôr? Até que ponto vale a pena dedetizar as borboletas?

Até que ponto vale a pena encarar o mundo, fazer as escolhas certas (certas???) e ir matando as borboletas pelo caminho?

O seguro... as certezas... o futuro... tudo isso contra as borboletas...

Demorei tanto para sentir borboletas novamente... para trilhar esse caminho cheio de borboletas... que hoje não imagino a vida sem elas. Ah... eu realmente quero as borboletas!
...................


Para finalizar... segue um texto lindo do Luís Fernando Veríssimo, que tem tudo a ver com minhas borboletas...

A Pessoa Errada
Luís Fernando Veríssimo


Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente está precisando das coisas certas
Aí é a hora de procurar a pessoa errada
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada é, na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo
E só assim é possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: “Graças à Deus deu certo”
Quando na verdade
Tudo o que Ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Para que as coisas comecem realmente a funcionar direito pra gente
Nossa missão:
Compreender o Universo de cada ser humano,
Respeitar as diferenças,
Brindar as descobertas,
Buscar a evolução.
Quando a gente acha que tem todas as respostas,
Vem a vida e muda todas as perguntas...

14 de ago. de 2008

Chico escreve com seus vários “eus”... por que eu não posso?

Devido à série de perguntas que me fizeram sobre o post anterior e às dúvidas que plantei na mente de muitas pessoas (se eu estivesse no bloglog da Globo.com, essa semana teria chegado ao topo do ranking... encostando em Marcos Mion...), respondo:

1 - Não... eu não estou namorando
2 - Não... eu não faço desse blog um diário virtual (só às vezes...)
3 - Sim... eu posso escrever sobre fatos inventados, que não aconteceram além da minha imaginação...

Semana passada eu estava na aula de História da Ciência, com meus queridos e amados bichos-grilos da USP, e o professor entendeu que todos ali eram super hiper mega fluentes em inglês... está certo que isso era pré-requisito para o curso, mas... bem, ele passou um vídeo sobre os grandes acontecimentos científicos de todos os tempos EM INGLÊS, SEM LEGENDA NENHUMA... pára tudo! Eu até consigo assistir a um filme em inglês, perco uma coisa ou outra e tudo bem... mas com sono, com fome e filme com cara de National Geographic... sem chance... minha concentração evaporou... nesse momento de descontrole mental total, nasceu o post abaixo...

Se é possível acreditar nisso ou não, cada um com seu cada um... nem eu mesma me convenço dessa explicação... mas não deixa de ser uma explicação.

No entanto, para quem quiser realmente saber quem eu sou, não saberá pela minha boca, nem pela boca de Clarice Lispector, que normalmente fala por mim... saberá por Martha Medeiros...

Martha Medeiros é uma escritora contemporânea, gaúcha (tudo que vem do Rio Grande do Sul é fantástico mesmo!), que escreve com o coração de uma mulher... uma mulher dos tempos atuais, com toda essa porcaria de feminismo que acabou conosco (essa comentário explicarei em outro post... numa outra oportunidade...)

Esse texto dela que transcrevo abaixo diz tudo de mim... quem sabe um dia alguém entenda e seja capaz de atingir o oásis que eu sou!


Eu, Modo de Usar
Martha Medeiros

Pode invadir ou chegar com delicadeza,
mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor mas...
permita que eu escove os dentes primeiro.
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos
e minta sobre minha nocauteante beleza.

Tenha vida própria, me faça sentir saudades,
conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas
e nem seja preconceituoso,
não perca tempo cultivando este tipo de herança de seus pais.
Viaje antes de me conhecer,
sofra antes de mim para reconhecer-me um porto,
um albergue da juventude.

Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras,
elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e,
não me obedeça sempre, que eu também gosto de ser contrariada.
(Então fique comigo quando eu chorar, combinado?)

Seja mais forte do que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça,
gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto:
boca, cabelos, os pêlos do peito e um joelho esfolado,
você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.

Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida,
não de boate que isso é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
Escolha um papel para você que ainda não
tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês, mas me faça uma louca boa,
uma louca que ache graça em tudo que rime com louca:
loba, boba, rouca, boca...
Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal.
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra missa,
apresentar sua família... isso a gente vê depois... se calhar...
deixe eu dirigir o seu carro, que você adora.

Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres,
tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Não me conte seus segredos... me faça massagem nas costas.
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte!

Se nada disso funcionar... experimente me amar!!!



P.S. - Aviso aos navegantes... estou sem net em casa - temporariamente... meu aparelho receptor do sinal está com problemas... até o técnico arrumar sabe-se lá quanto tempo ainda vai demorar... mas eu volto... um dia eu volto!

9 de jun. de 2008

“Quero no escuro, como um cego tatear estrelas distraídas”

Especialmente para o meu leitor mais assíduo... estou de volta!
Assunto não falta... depois de passar tantos dias escrevendo sobre esporte, sem entender quase nada de esportes (confesso!!!), tive certeza de que jornalista consegue escrever sobre qualquer assunto, dominando-o ou não, desde que tenha planejamento e as fontes certas... nosso trabalho não é saber, mas sim descobrir quem sabe e organizar as informações de forma que qualquer pessoa também possa saber... viva!!!!



Tem algo que não sai da minha cabeça... o pôr-do-sol... ou melhor os pôres-do-sol... isso mesmo... porque o Sol é sempre o mesmo, mas eu me lembro de diversos crepúsculos na minha vida (ficou bonito isso...). O pôr-do-sol lindo em Floripa, na Av. Beira-Mar Norte... o pôr-do-sol na praia de Itanhaem... o pôr-do-sol que eu via do quintal da minha casa em Sorocaba... “a mesma e única casa, a casa onde eu sempre morei”...
Sempre gostei desses momentos... talvez porque seja o início da noite, meu horário favorito... ou porque simplesmente é bonito mesmo. Mas ainda não consigo entender um pôr-do-sol sozinha... acho que pôres-do-sol foram feitos para ser compartilhados... e essa chance ainda não tive... nossa, está muito calor... espero que chova!
Mas, mais do que tudo isso, os pôres-do-sol de minha vida têm um gosto de saudade, um gosto de infância, um gosto de família reunida em torno dos bolinhos de chuva da minha avó, em torno da janela que dá para a muralha da Mata Atlântica, em torno dos apitos do trem, da parede que nunca esfriava... tópico bucólico e saudosista...
Tive saudade de momentos de minha infância... ouvindo a música “Minha Casa”, do Zeca Baleiro... “Não quero ser triste / como um poeta que envelhece lendo Maiakovski na loja de conveniência / Não quero ser alegre / como um cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o Sol de domingo / Nem quero ser estanque / como quem constrói estradas e não anda / Quero no escuro, como um cego tatear estrelas distraídas”
É o que eu quero também... tatear no escuro... sentir o cheiro, o gosto... os arrepios...

Ah... para finalizar do jeito que tem que ser... como falei muito em Mário Quintana, o querido poeta gaúcho, que misturava prosa e poesia... que escrevia sobre o cotidiano, sobre seu olhar... não poderia deixar de postar um poeminha dele aqui... não só o famoso “Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho. / Eles passarão... / Eu passarinho!”


A imagem e os espelhos

Jamais deves buscar a coisa em si, a qual depende tão-somente dos espelhos.
A coisa em si, nunca: a coisa em ti.
Um pintor, por exemplo, não pinta uma árvore: ele pinta-se uma árvore.
E um grande poeta – espécie de Rei Midas à sua maneira – um grande poeta, bem que ele poderia dizer:
- Tudo o que eu toco se transforma em mim.



E continuo afirmando... sempre... que “estranho seria se eu não me apaixonasse por você”.

16 de mar. de 2008

Clarice fala por mim...

Oi pessoal...

Voltei! Demorei para escrever aqui (que vergonha!!!!)... mas estava em processo eleitoral no meu trabalho e deu muito trabalho! Mas vamos deixar isso de lado...

Quero falar de Clarice Lispector...


Apesar de ter nascido na Ucrânia, Clarice foi a grande escritora brasileira do século passado, e ouso dizer de todos tempos, de todo o mundo... Para mim, ela é muito mais... ela fala por mim, ela manifesta meus pensamentos, sentimentos, sensações... desculpe-me Clarice se tenho essa pretensão.

Jornalista, uma mulher a frente do seu tempo, ousada, misteriosa (inclusive para ela mesma), impulsiva... escritora... não intelectual... apaixonada pela palavra escrita...

Sou mesmo fã dessa mulher... e de tempos em tempos vou publicar alguma coisa dela aqui, combinado?!

Então, lá vai...



“Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.”



Esse texto não foi publicado em nenhum livro de Clarice... ele foi encontrado (um rascunho) depois de sua morte...
Grandes beijos...