9 de jul. de 2008

É o fim da Revolução Boêmia!


Você gosta de tomar umas cervejinhas com os amigos naquele Happy Hour depois de um dia estressante? Você é daqueles que não resiste a uma caipirinha no churrasco de domingo (com vodka, please!)? Você não consegue relaxar na balada sem tomar aquela dose de Jack Daniels (com água de coco)? Amigo, assim como eu, você acaba de ser enquadrado nas categorias “meliante”, bandido, réu, condenado! Valeu Temporão!!! A Lei Seca nos transformou todos em bandido!

O que seria da Revolução Boêmia, da Bossa Nova, de Chico, do rock´n´roll sem as “biritas”??? Entendo que muitos acidentes aconteceram por causa da bebida... e a punição foi branda, devemos dizer... mas transformar gente de bem, trabalhadores, em bandidos porque tomam umas a mais, ou transformar todos nós em prisioneiros, já que a maioria se recusa a sair sem beber, é exagero... é demais... é o fim dos tempos!

Nenhuma multa nesse país é criada por acaso... nenhuma multa nesse país é criada sem que “alguns” levem o seu cash com isso... e nenhuma blitz jamais foi algo tranqüilo e pacífico... o mais engraçado é que nenhuma blitz jamais prendeu um traficante tipo Fernandinho Beira-Mar, ou um assassino fugitivo, ou um Daniel Dantas (não o ator, claro!), ou um Paulo Maluf... blitz só serve para encher o saco de pessoas de bem, atrapalhar o trânsito e fazer o ego dos PMs inflarem ao tratar as pessoas como “meliantes”, mostrando toda a sua superioridade... gostaria de ver essa superioridade num morro do Rio, enfrentando o tráfico de perto...

Para mim ainda é mais ridículo ver a mídia toda aplaudindo e reiterando toda essa palhaçada. Mostrando como diminuiu o número de acidentes nos últimos dias, como diminuiu a incidência de mortes no trânsito... tenho vontade de vomitar... primeiro, julho é um mês tradicionalmente com diminuição de acidentes de trânsito, devido às férias escolares, muita gente fora das grandes cidades, etc, etc... além disso, é óbvio que diminuíram os acidentes... ninguém mais sai de casa!!!!! Eu prefiro nem sair se for para não beber!

Parabéns Temporão!!! Leis como essa são aprovadas rapidamente. Enquanto isso continuam matando bebês em hospitais públicos, continua faltando médicos em hospitais... e continuam pagando R$ 6,50 aos profissionais da saúde por um atendimento no SUS. Você acredita que será bem-atendido por um médico que está recebendo essa ridícula quantia, que sequer paga a formação dos profissionais? Mas a multa para quem for pego dirigindo com um mísero copo de cerveja no fígado é de mais de R$ 900!!!!!!! Absurdos têm limite! Não no Brasil!

E é ótimo continuar andando pelas ruas em segurança, confiante em nossa polícia... que coloca todo o seu contingente em blitz que pretendem “fragrar” o meliante de bem, que comentem equívocos que matam uma criança de oito anos... é bom saber que vivemos num país justo, que está tentando conter os crimes de trânsito! Excelente!!!!

Parabéns Temporão! O Congresso continua a serviço de quem continua embolsando os nossos salários!

E vou citar aqui Bruno Mazzeo, que num momento de mágica inspiração disse que se nós não podemos dirigir bêbados, por que o Lula continua a dirigir o país???




Juro que tentei fazer um post mais light dessa vez, mas anda difícil, viu!




But you won't fool the Children of the Revolution
No you won't fool the Children of the Revolution
No, no...

1 de jul. de 2008

Pai! Afasta de nós esse cálice...



Hoje faz um mês que o garoto Fabiano foi espancado na porta da danceteria Soft, em Sorocaba. Passou uma matéria no Jornal Nacional, com ele mesmo – um milagre! – dando um depoimento... não pude evitar e chorei... nunca mais esse garoto vai ser o mesmo... nunca mais...


Quando soube desse caso, soube pela boca de outros... não vi as cenas logo de cara e achei que se tratava de mais uma briga de balada... mas quando vi... e não consegui ver tudo, porque foi pesado demais para mim, meu coração ficou apertado, como tantos outros corações, imagino... mas depois uma revolta tão grande tomou conta de mim que tive ímpetos de tomar atitudes que nem tenho coragem de dizer.


Não consigo encontrar palavras na língua portuguesa para definir ISSO... é inclassificável...


Então nós vemos por aí ONGs em defesa dos animais, do meio ambiente, da floresta amazônica... e, veja bem, não sou contra a nada disso... mas quando vamos salvar a humanidade??? Quando vamos pensar na redenção do ser humano??? Porque não é possível que fiquemos de braços cruzados vendo pais jogando seus filhos pela janela, mães desesperadas perdendo seus filhos numa balada, como foi o caso do garoto baleado no Rio de Janeiro por um policial militar!!!!! SOCORRO!!!!


Do jeito que “caminha a humanidade” em breve vamos morar no inferno, bem ao lado do demônio... medo de sairmos de casa, medo de termos filhos, medo de andar pelas ruas... enclausurados num mundo próprio... sozinhos... vamos perder a capacidade de tocar, de relacionar... aos poucos vamos perder a fala... nossa única habilidade serão os dedos deslizando pelos teclados...

Estamos retrocedendo na evolução... breve seremos amebas novamente... com uma única célula...

Todas as violências dos últimos tempos estão me deixando em revolta interior... não pude evitar esse post... brotou junto com minhas lágrimas... quem é que vai dar paz para o coração dessas mães que estão perdendo seus filhos? Quem é que vai dar sabedoria para que esses pais parem de mimar os seus “filhinhos” de classe média-alta, transformando-os em adolescentes monstros? Quem é que vai mostrar aos nossos excelentíssimos governantes que nós não precisamos só de bolsa-família, precisamos de educação (descente!)... não só de educação, mas também de saúde (descente!)... não só de saúde, mas também de trabalho (descente!)... não só de trabalho, mas também de segurança! De lazer! De vida! De qualidade! Amor!

Seres humanos é o que somos... todos filhos de Deus... todos temos sangue nas veias... todos temos compaixão... não vamos deixar que Sorocaba esqueça o houve... assim como a mídia “martelou” (até demais!) o caso Isabella, e talvez graças ao trabalho até cansativo e cheio de clichês da imprensa, hoje os acusados estão presos, vamos “martelar” o caso de Fabiano... para que esses “inclassificáveis” nunca mais possam desfrutar de um minuto de liberdade sequer... é o mínimo... é pouco... é quase nada perto do que eles fizeram... mas pelo menos nos redime de nossa culpa...

Por enquanto, a luz no fim do túnel é uma utopia pra mim...


Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
Nem seja a vida
Um fato consumado
Quero inventar
O meu próprio pecado
Quero morrer
Do meu próprio veneno
Quero perder de vez
Tua cabeça
Minha cabeça
Perder teu juízo
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Chico Buarque)

23 de jun. de 2008

“Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior”



Hipnotizante. Essa é a palavra para descrever o show de lançamento do segundo álbum do Teatro Mágico, Segundo Ato, no Memorial da América Latina. O show é lindo, perfeito... eles amadureceram mesmo... e saíram do amadorismo para o profissional-amador. Tudo no show hipnotiza... quem vê nem pisca...

A trupe continua sem patrocínio, sem distribuidor, a favor da pirataria... mas percebe-se que eles cresceram... são adultos... nos arranjos, nas letras, no profissionalismo que cercou todo o show...

E que show! Os números circenses estão anos-luz melhores do que eram... os quatro artistas circenses fazem bonito mesmo... sem clichê! Mas o melhor, o hipnotizante, é a parte teatral... cada música tem uma produção teatral por trás... em Eu não sou Chico (mas quero tentar) a encenação de um boêmio tentando conquistar duas prostitutas, em um boteco com cara de Chico Buarque, ficou ótima!

Mas a melhor, a de chorar, de ficar embevecido é a encenação de Cidadão de Papelão... a idéia da música é mostrar a vida de quem não é nada, não tem nada... de quem “não habita, se habitua”. No palco, um homem vestido de jornal, sem rosto, sendo ignorado o tempo todo pelos músicos... quando deixa de ser ignorado, passa a ser maltratado, chutado, expulso... demais! Acontece todos os dias, a todo o momento, e nem nos damos conta.

Minha tristeza é que muitas músicas ficaram de fora... Eu não sei na verdade quem eu sou – minha preferida que não está em CD nenhum - , Durma medo meu, Bailarina e Soldado de Chumbo, Folia no Quarto, Na varanda, Sobra tanta falta, Cuida de mim, Perto de você.......

A ‘amadurecência’ da trupe, de Fernando Anitelli não está somente no palco, no CD, agora com um encarte lindo, inspirado em Salvador Dalí... está muito mais nas letras... acabaram-se o bucolismo, a esperança, a folia no quarto de criança, a busca pela pedra mais alta, a união de tudo numa coisa só... acabaram-se as cores suaves, o lilás, o verde, o laranja, o amarelo... tudo isso deu lugar ao protesto, ao vermelho e preto, às batidas fortes, ao som estridente da guitarra. Às revoltas!

O que me chamou a atenção quando conheci o Teatro Mágico, por meio do CD Entrada para raros, foram as músicas com esperança, amor, saudando a alegria, o prazer, a felicidade... adorei a suavidade, o pratododia, a sorte vindo num realejo, lembrando do amor só enquanto respirar... a paixão do mar por Ana... mas em São Paulo, no Brasil... neste mundão... ninguém pode ser feliz para sempre... nem mesmo a magia do Teatro...

Pena que naquela platéia faltou alguém... havia um lugar vazio na arquibancada... e por falar em pena...

O carro-chefe da trupe é a música Pena... vai aí a letra...



O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é a cédula mãe solteira

O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Acordes em oferta, cordel em promoção
A Prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação
E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um Sol em mim menor

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai
A porcentagem e o verso
rifa, tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão
O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai
Meu museu em obras, obras em leilão
Atalhos, retalhos, sobras
A matemática da arte em papel de pão

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A luz acesa
Já se abre um sol em mim maior

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

Ainda devo minha história de Brasília... aguardem! Ainda estou com saudade de Brasília... passaria um bom tempo lá...

20 de jun. de 2008

Mais um pôr-do-sol...



No último post falei dos pôres-do-sol de minha vida... e não é que presenciei um pôr-do-sol lindo, com um céu azulzinho, sem uma nuvem, em Brasília... pois é... a cidade onde reina a podridão daqueles políticos que não valem nada, é linda sim!!! E tem um povo muito simpático e solícito...


E foi justo nessa cidade, onde tem tanta corrupção, tanta gente suja... foi lá que presenciei uma das coisas mais emocionantes, mais justas, éticas e, para mim, intrigantes! Mas essa história, que testemunhei em Brasília, vou contar outro dia, porque merece um post especial... e preciso escrever com calma, lembrando de cada detalhe...


Por enquanto, fica o pôr-do-sol...


Remissão
Naquele dia fazia um azul tão límpido, meu Deus, que eu me sentia perdoado para sempre não sei de quê.
Mário Quintana


Ando sentindo muita saudade de mim... e de Brasília... e de Sorocaba... confusão!



9 de jun. de 2008

“Quero no escuro, como um cego tatear estrelas distraídas”

Especialmente para o meu leitor mais assíduo... estou de volta!
Assunto não falta... depois de passar tantos dias escrevendo sobre esporte, sem entender quase nada de esportes (confesso!!!), tive certeza de que jornalista consegue escrever sobre qualquer assunto, dominando-o ou não, desde que tenha planejamento e as fontes certas... nosso trabalho não é saber, mas sim descobrir quem sabe e organizar as informações de forma que qualquer pessoa também possa saber... viva!!!!



Tem algo que não sai da minha cabeça... o pôr-do-sol... ou melhor os pôres-do-sol... isso mesmo... porque o Sol é sempre o mesmo, mas eu me lembro de diversos crepúsculos na minha vida (ficou bonito isso...). O pôr-do-sol lindo em Floripa, na Av. Beira-Mar Norte... o pôr-do-sol na praia de Itanhaem... o pôr-do-sol que eu via do quintal da minha casa em Sorocaba... “a mesma e única casa, a casa onde eu sempre morei”...
Sempre gostei desses momentos... talvez porque seja o início da noite, meu horário favorito... ou porque simplesmente é bonito mesmo. Mas ainda não consigo entender um pôr-do-sol sozinha... acho que pôres-do-sol foram feitos para ser compartilhados... e essa chance ainda não tive... nossa, está muito calor... espero que chova!
Mas, mais do que tudo isso, os pôres-do-sol de minha vida têm um gosto de saudade, um gosto de infância, um gosto de família reunida em torno dos bolinhos de chuva da minha avó, em torno da janela que dá para a muralha da Mata Atlântica, em torno dos apitos do trem, da parede que nunca esfriava... tópico bucólico e saudosista...
Tive saudade de momentos de minha infância... ouvindo a música “Minha Casa”, do Zeca Baleiro... “Não quero ser triste / como um poeta que envelhece lendo Maiakovski na loja de conveniência / Não quero ser alegre / como um cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o Sol de domingo / Nem quero ser estanque / como quem constrói estradas e não anda / Quero no escuro, como um cego tatear estrelas distraídas”
É o que eu quero também... tatear no escuro... sentir o cheiro, o gosto... os arrepios...

Ah... para finalizar do jeito que tem que ser... como falei muito em Mário Quintana, o querido poeta gaúcho, que misturava prosa e poesia... que escrevia sobre o cotidiano, sobre seu olhar... não poderia deixar de postar um poeminha dele aqui... não só o famoso “Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho. / Eles passarão... / Eu passarinho!”


A imagem e os espelhos

Jamais deves buscar a coisa em si, a qual depende tão-somente dos espelhos.
A coisa em si, nunca: a coisa em ti.
Um pintor, por exemplo, não pinta uma árvore: ele pinta-se uma árvore.
E um grande poeta – espécie de Rei Midas à sua maneira – um grande poeta, bem que ele poderia dizer:
- Tudo o que eu toco se transforma em mim.



E continuo afirmando... sempre... que “estranho seria se eu não me apaixonasse por você”.

18 de mai. de 2008

Eu sou Amelie Poulain

Um dos meus filmes preferidos - praticamente O PREFERIDO - é "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain", um filme francês, do diretor Jean-Pierre Jeunet. O filme... só assistindo mesmo... é único... toca fundo no sentimento das pessoas... vejam... e tirem suas próprias conclusões...


Inspirada pelo filme... há algum tempo, escrevi uma crônica (ou algo parecido)... e vou publicá-la hoje... dividi-las com os meus um ou dois leitores... brincadeira, porque eu sei que são muitos... então... lá vai...





Eu sou Amelie Poulain
Com a mesma solidão e a mesma blusa de lã
Esperando pelo 30 de agosto

1° de janeiro de 1978... 2:40:58... o país comemora a passagem do ano... 92% da população estão embriagadas... um pernilongo pousa na perna de uma senhora que tenta dormir... no mesmo segundo, o vento sopra forte, fazendo os cabelos dos convidados balançarem num ritmo mágico que encanta a dança, sem que ninguém note... neste instante, uma pessoa tem um ataque cardíaco na Santa Casa de São Paulo e falece... neste mesmo momento um espermatozóide de cromossomo X destaca-se do pelotão e alcança o óvulo... nove meses depois, eu nasci...

Com os mesmos amigos imaginários... brincando sozinha e fazendo caretas para ninguém... sempre sorrindo... empurrando fileiras de dominós... gostando de lupas, de ver as coisas maiores de que elas eram... achando intrigante tirar sons da taça de cristal... ou o barulho quando chupamos o final do leite no canudinho... o barulho do mar dentro da concha... esfregando cola na mão e tirando como se fosse pele descascada... gostando de serpentina mais do que de confete, mas não sabendo jogar...

Não gostando – até hoje – que desconhecidos me toquem... nem por coincidência...

Inventando doenças imaginárias só para chamar a atenção...

O mundo parecia tão monótono, que preferia sonhar até ter idade para partir... parti...

Nos fins de semana pegando o Prata ou o Cometa para ver a família...

Às vezes indo ao cinema... observando as pessoas... gostando de ouvir uma música que nunca havia ouvido e sentir o arrepio do novo... gostando do cheiro de lençóis limpos... gostando de observar o pescoço das pessoas... gostando de dias de chuva... de passear na chuva... mas não gostando de ir trabalhar em dias chuvosos

Dormindo sozinha no meio da cama... acordando com idéias às 4 da manhã... anotando devaneios no caderno reciclado...

Gostando de arte e não entendendo nada dela... talvez diferente demais dos outros.

Volta e meia voltando ao passado nostálgica... cabendo a infância num filme de oito minutos, ouvindo when you were young...

Volta e meia a vida parece em harmonia perfeita... os cheiros, o vento no rosto, as palavras certas...

Volta e meia, tudo desmorona em lágrimas e Lady Murphy me visita

Imaginando uma relação com alguém distante, fora do quadro, mas que eu sinto que são parecidos para desperdiçarem essa dádiva que têm

Tentando ser justa com outros, acabar com as injustiças do mundo e sempre sendo injusta comigo mesma...

Não encarando a realidade, não ligando quando deveria ligar, não buscando respostas simples...

Torcendo para o meu 28 de setembro chegar...
-----------------------------------------------------------------------------
Recomendo o blog do Bruno Mazzeo... ele é ótimo! O link está aí do lado... visitem, porque vale a pena! E vejam o programa dele, o Cilada... no Multishow... ou aluguem, porque já tem em DVD...
E recomendo o post abaixo também... leiam minha indignação latente!!!!
Beijos...

7 de mai. de 2008

Is it just me or is the world fed up?


Não sei se eu enlouqueci ou o mundo está mesmo um lugar estranho de se viver... ou seria São Paulo? Ou seria o norte e nordeste do Brasil?

Não... de forma alguma tenho algum preconceito contra os nortistas e nordestinos desse país... mas quando vejo notícias, como a manchete de hoje dos jornais, em que o “coronel” acusado (e condenado!) pela morte da freira missionária Dorothy Stang, no Pará, foi absolvido (como assim? Será que li direito? Absolvido?), me sinto no feudalismo... na escravidão... não... não me sinto em lugar nenhum desse planeta... me sinto no inferno...

Como pode o coronelismo, a impunidade, a falta de justiça ainda imperarem em mais da metade desse país? E o pior é que esses mesmos coronéis apontam armas na cabeça de seus “comandados” para que eles votem no deputado, senador, vereador que também vai ser comandado por eles... é um círculo vicioso eterno... é o voto de cabresto que nunca tem fim... COMO vamos tirar esse país desse círculo com essa porcaria de justiça que ainda se faz na boca do revólver?

E não precisamos ir tão longe não... olha o Rio de Janeiro como está... a justiça lá se faz na boca de fumo... os traficantes comandam a vida das pessoas... e eles brotam como feijão no algodão... saem da terra como zumbis... sem falar na dengue...

Em São Paulo está melhor??? Será que preciso comentar???

Em São Paulo impera outro tipo de baixaria... a baixaria da falta de respeito... nunca vi cidade onde se vive tanta gente mal-educada por metro quadrado... e olha que eu gosto de São Paulo... sempre assisto ao CQC, na Band... no quadro Proteste Já eles mostram situações que causam embrulho no estômago... motoristas que não respeitam sinal fechado, imagine se vão respeitar pedestres... donos de cães passeando com seu animalzinho sem recolher a caca produzida por eles... e existem leis que obrigam as pessoas a serem educadas... ENTÃO POR QUE ELAS NÃO SÃO????

Além disso, tem o metrô... ah... o metrô... alguém deveria avisar as pessoa que usam o metrô que é uma lei da Física que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço... ou seja, eu preciso sair para que outro entre... mas na maioria das vezes sou quase amassada, jogada no chão, pisoteada por uma manada de... seres humanos! Sem falar no povo que estaciona na porta... francamente...

Quando vejo essas pessoas, quando vejo esses políticos, quando vejo essa justiça nojenta do Pará... não consigo acreditar que somos feitos da mesma matéria... que somos filhos do mesmo Pai... que somos todos dotados de capacidade de pensar (aprendi isso na escola... mas acho que a professora errou, porque era isso que nos diferenciava dos demais animais)...

Eu não!!! Eu não posso ser feita da mesma matéria que foram feitos George W. Bush, Alexandre Nardoni, Vitalmiro, guardadores de carro (eles também brotam de toda parte!!!), Mercadante, Lula (por que partiu meu coração???), Mulher Melancia (e compositores da música “Créu”, se é que se pode chamar isso de compositor... e aquilo de música), usuários do metrô (não todos...), motoristas que dirigem como se a rua fosse só deles........ (também não sou descendente de macacos... você já olhou bem um chimpanzé??? Impossível! Darwin deve ter convivido com gente muito feia para chegar a essa conclusão...)

Shakespeare dizia que “nós somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos”... que merda de sonho esse povo aí de cima sonhou então...

Que os sonhos de vocês sejam grandes, bonitos e iluminados... para que a gente possa povoar esse mundo de um jeito mais decente... quem sabe? Pelo menos a minha parte vou fazer... como o beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta...