
Durante muito tempo, adolescente viciada em Legião Urbana que eu era, eu escutei e amei a música Andréa Dória, do álbum II, e pensava que ela fazia todo o sentido... hoje eu sei que jamais entendi completamente a letra dessa música. Hoje eu sei... hoje eu entendo... infelizmente, hoje ela faz sentido.
Tem certos acontecimentos em que você é apenas um coadjuvante ou mesmo um figurante... ou seja, não importa o que você faça... se não for você, será outro e acontecerá do mesmo jeito... como um amigo disse... “não vale a pena remar contra a maré”.
Então que seja... pelo menos tenho certeza que vou passar por isso sem que isso me defina... isso, com certeza, não me define...
Ainda restam questões... restam valores (nossa... como o superego é forte!). Ainda resta a voz de minha mãe, que me doeu tanto ouvir hoje (mas é só por hoje), ainda resta um gosto amargo na boca, ainda resta um certo asco... minha alma ainda pesa um pouco, o peso da luz, o peso da música...
Mas amanhã será outro dia... e vou continuar entoando o mantra: isso não me define!
Não me define! Porque eu ainda tenho o espírito de Amelie Poulain... ainda sambo ao som de Chico Buarque... ainda brilha meu olhar quando vejo o pôr-do-sol... aquele mesmo...
Eu não vou perder tudo isso! De fato...
Mas só por hoje, me lembrei de Andréa Dória...
“Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto
Até chegar o dia em que tentamos ter demais
Vendendo fácil o que não tinha preço
Eu sei é tudo sem sentido
Quero ter alguém com quem conversar
Alguém que depois não use o que eu disse contra mim”







